quinta-feira, 21 de março de 2013

Ego , Id, Superego.

Os lugares psíquicos: Id, Ego e Superego - Psicanálise de Freud

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 Em O ego e o id (1923), Freud retoma a tarefa de dar uma descrição do quadro geral da mente - de descrever uma segunda tópica, uma dinâmica e uma economia  - a fim de propor uma outra forma de conceber psiquismo humano, que acrescenta informações à primeira já concebida. Isso se fez necessário a partir dos próprios desenvolvimentos clínicos e teóricos da Psicanálise, entre 1900 e 1923, que apontaram algumas lacunas nas primeiras concepções freudianas. Assim, Freud propõe uma nova compreensão do psiquismo que não anula a anterior, mas recoloca-a num outro lugar e ultrapassa-a em alguns pontos.

   A premissa fundamental da Psicanálise é a divisão do psíquico entre o que é consciente e o que é inconsciente, sendo impossível situar a essência do psíquico na consciência, já que esta é apenas uma qualidade do mesmo, que pode estar presente ou ausente. No entanto, essas distinções entre consciência, pré-consciente e inconsciente tornaram-se inadequadas para a Psicanálise.

   Um exemplo disso é a noção de ego. Trata-se da idéia de que em cada indivíduo existe uma organização coerente de processos mentais dominada ego. É a esse ego que a consciência se acha ligada: o ego controla as abordagens à motilidade, isto é , à descarga de excitações para o mundo externo. Ele é a instancia mental que supervisiona todos os seus próprios processos constituintes e que vai dormir à noite, embora ainda exerça a censurar sobre os sonhos. Desse ego procedem também os recalques, por meio dos quais procura excluir certos conteúdos do psiquismo.

   Em um processo de análise, esses conteúdos que foram deixados de fora colocam-se em oposição ao ego, e a análise defronta-se com a tarefa de remover resistências que o mesmo apresenta contra o surgimento do recalcado. No entanto,durante a análise, ao tentarmos obter acesso a esse recalcado, o paciente se opõe, apresenta uma certa resistência a se lembrar, a associar, de forma que o que estava oculto possa emergir. E não se dá conta disso. Da mesma maneira que ele desconhece o que está recalcado, também ignora a força que o mantém dessa maneira, não sabe sobre sua própria resistência, exercida pelo ego. Há algo no ego_a resistência _que também é inconsciente, o que faz com que essa denominação não possa ser atribuída mais apenas ao que é recalcado e desejável.

   A partir disso, Freud reconhece que o inconsciente não coincide com mais com o recalcado: tudo o que é recalcado é inconsciente, mas nem tudo que é inconsciente é recalcado. Também uma parte do ego pode ser inconsciente. O fato de ser inconsciente começa a tornar-se apenas uma qualidade que não define nada.

   Quando Freud aponta, em O ego e o id (1923), que definir algo como consciente ou inconsciente não garante muita coisa, já que não garante a oposição entre instância recalcante e a instância  recalcada, isso se deve à observação da resistência. A resistência faz parte dos atributos do eu e, no entanto, não é percebida. Ele se propõe, então, a pensar em como algo se torna consciente, a partir do que proporá uma nova configuração psíquica.

   A consciência é a superfície do aparelho mental, o sistema que primeiramente é atingido pelo mundo externo. O ego tem origem no sistema perceptivo e começa por ser pré-consciente. O id é a entidade que se comporta como se fosse inconsciente. O individuo é como um id psíquico, desconhecido e inconsciente, sobre cuja superfície repousa o ego, desenvolvido a partir do seu núcleo, o sistema perceptivo. O ego não se acha separado doid, funde-se com ele. O recalcado também se funde com id, é parte dele, mas não é todo oid. Além dele, o id guarda em si as moções pulsionais.

   O ego é aquela parte do id que foi modificada pela influência do mundo externo, por intermédio da percepção-consciência. É uma extensão dessa diferenciação da superfície. Procura aplicar influência do mundo esterno ao id, esforçando-se para substituir princípio de prazer pelo princípio da realidade. Ele controla as descargas à motilidade, é um egocorporal, a projeção de uma superfície. Deriva das sensações corporais, principalmente das que se originam da superfície do corpo.

   Mesmo operações intelectuais sutis e difíceis podem ser executadas de forma pré-consciente. A autocrítica e a consciência moral são inconscientes. A resistência é inconsciente. Freud então vai mais afundo naquilo que seria o mais elevado do ego e, no entanto, inconsciente, para falar do superego.

   O superego é uma gradação do ego, uma diferenciação do mesmo, assim como o próprio ego constitui-se como diferenciação do id. Não está vinculado a consciência, relacionando-se com a consciência moral, a autocrítica e os ideais a serem perseguidos e almejados por um sujeito.

   O ego se forma a partir das identificações. Por identificação, Freud define o processo pelo qual o sujeito assimila alguma característica de outro, transformando-se a  partir disso. A constituição do sujeito depende das mesmas, uma vez que seu ego é um composto das muitas identificações realizadas desde a infância por ele. O caráter do ego é um precipitado das catexias objetais abandonadas, sendo que ele contém a história dessas escolhas de objeto. O mesmo ocorre com superego, composto a partir das identificações efetuadas por tal sujeito ao passar pelo complexo de Édipo. Portanto conforme o aparelho psíquico se forma e as instâncias vão se diferenciando do id, as identificações têm papel preponderante nessa constituição. O id é o reservatório da líbido. Os efeitos das primeiras identificações efetuadas na infância são gerais e duradouros.

   Assim, o superego é um resíduo das primitivas escolhas objetais do id e uma formação reativa contra essas escolhas. Sua relação com o ego funda-se nos preceitos: 'você deriva ser assim' e 'você não pode ser assim'. Deriva sua existência do complexo de Édipo e tem por missão recalcá-lo. Retém o caráter do pai, tomando dele a força necessária para proibir a realização dos desejos edipinianos. O superego é herdeiro do complexo de Édipo.

   Após termos percorrido as transformações dos lugares psíquicos por meio do estudo das suas tópicas, podemos perceber que tal transformação ocorre porque, entre a primeira e a segunda, o que se interpõe são noções fundamentais como Complexo de Édipo, identificações, formação do superego, emoções pulsionais etc. Assim, o que faltava à teoria de 1900, além de um maior refinamento do que seria inconsciente e consciente, eram as proposições que levassem em conta a sexualidade e as pulsões. Um passeio pelas mesmas se faz necessário.



http://www.psicoloucos.com/Psicanalise/id-ego-e-superego.html


Postado por : David Evandro de Amorim


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